MyLife#22 – Sinceramente… O que eu fiz?

A Débora hoje me deu a idéia de escrever um pouco sobre mim, na perspectiva de o que acontece, ou pelo menos o que se passa pela minha cabeça nesses dias.

Resolvi aceitar o cargo de professor substituto de História numa escola próxima da minha casa. No inicio deveria ser um espécie de bico, já que com a grana poderia comprar uma impressora multi-funcional que resolveria tanto os meu problemas de desenho (vide o caso Eleven Dreamers, que tá parado a eras) e ajudaria meu pai e minha irmã que de vez em quando (entenda quase sempre…), de uma impressora.

Porém quando a coisa começo eu percebi o quão difícil isso iria ser, se arrependimento matasse hein?

Não é pelo fato de não conseguir dar conta de 16 turmas divididas em 2 horários (manhã e tarde), não pelo fato de ter que dar aula numa sala de mais de 40 alunos; não é pelo fato de acordar as 5:30 da manhã e dormir a mais de meia-noite; não pelo fato de ter que organizar plano de aula que NÃO forma elaborados por mim e lidar com turmas que não o mínimo de conhecimento para um exercício de 5 questões; não é pelo fato de eu ter abandonado o curso de francês porque tenho que dar aula nas terças e quintas pela manhã; não é pelo fato de que ainda sou obrigado a lidar com colegas que di
videm o trabalho comigo e acham que podem fazer o que bem quiser com suas turmas atropelando os planejamentos; não é o fato de ser taxado de chato, antipático, e agir como se estivesse numa creche onde tenho que lidar com adolescentes que ainda não entenderam que eu não estou lá para bancar o palhaço de circo, sempre trazendo assuntos interessantes e curiosos, porque eu estou ganhando pra isso.

Sei que tudo isso é meio que uma grande frustração, mas tem o seu lado bom, tem meninos que vale a pena estar lá, meninos que percebemos que querem de alguma forma evoluir na vida (sinto muito usar esse termo, já que “crescer” não cabe mais nessa geração que sinceramente apelidei de “Geração CINE”). Garotas fúteis que passam o dia inteiro a se maquiar e conversar sobre a balada de ontem ou sobre o garotão bonito da sala (do lado dele é claro, assim o ego do muleque infla que é uma beleza). Como eu disse algumas pessoas ainda valem a penas mais acredito que isso me deu mais vontade ainda de me dedicar as pesquisa e não ao ensino de filosofia, por mais que eu acredite que seria um bom professor. O sistema educacional no Brasil é falido e tenta formar um cidadão aquem de quaisquer perspectivas qeu se possa fazer.

Hoje a noite quando for para minha rede vou pensar em uma maneira de ser ouvido, tenho duas aulas amanhã no segundo ano. Vou conversar com eles sobre isso e sobre a possibilidade de entenderem um novo mundo ou pelo menos repensar ele. Se pelo menos UM me escutar acho que já valeu a pena.

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4 comentários sobre “MyLife#22 – Sinceramente… O que eu fiz?

  1. Essa Débora fui eu? oehoeuheih
    Falar de si , ao meu ver, é sempre uma forma de organizar as ideias e mais na frente poder olhar pro passado e ver como as coisas foram mudado pra melhor, pior, enfim. Escrevo de mim, pra mim, mas quem se interessa lê.
    Essa tua rotina pesada, geminiano. Mas torço por ti. Professor deve ser difícil, se um dia isso passou pela minha cabeça, já se foi. Mas admiro muito a raça (no melhor dos sentidos) dos professores. Abraço!

  2. Cara, eu fui professor de inglês, literatura e produção textual (não necessariamente nessa ordem e às vezes tudo junto) durante 7 anos. Hoje sou revisor. Acho que isso já diz muito. é difícil, muito complicado mesmo, ser professor. Tem muitas desvantagens na profissão. Muitas. e é incrível como a maioria delas não vem do sistema educacional (que sim, é falho, arcaico e cheio de furos e desmotivações), mas, e infelizmente, por causa de nossos alunos. Desses pedaços de mentes que teoricamente tentamos moldar. Talvez a culpa não seja lá deles mesmos, mas de adultos geradores de uma realidade social drasticamente corrupta, cheia de furos, desvios de personalidades e relacionamentos incoerentes. enfim, no ambiente alternativamente paralelo da sala de aula, eles são muitas vezes as razões de uma indisposição dos seus mestres, de um desgosto. entendo vc. Conheci mentes geniais, mas eram pequenas ilhas em um mar poluído que por vezes as tragavam. Bem, o que mais dizer? Só sendo professor pra saber…

    1. Na vdd Luis até q eu estou me acostumando com a coisa… depende muito da forma que você leva, mas tem coisas q vc não pode aceitar e essas são algumas delas…

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