MyLife#14 – Uma experiência única?

Não sei nem como dizer isso, mas ontem a tarde passei por uma das únicas experiências na minha vida.

Bom quem lê isso aqui a mais de um ano, sabe como foi difícil conseguir uma bolsa na universidade, algo que tomou tempo e me deu muitas frustrações… Pois é, eu consegui uma muito legal chamada PIBID (Programa Integrado de Bolsas de Iniciação a Docência) onde eu entraria em contato com alunos do Ensino Médio para criar prática de sala de aula.

Ontem eu estava realizando uma atividade com os alunos, na verdade estava falando sobre “Amor, Felicidade e Morte na filosofia de Sêneca e Epicuro”, quando fui convidado pelo professor de Filosofia do 3º ano a dar aula. Claro que não aceitei por motivos óbvios, mesmo que por brincadeira, o que ele admitiu depois.

Mas mesmo assim fui até a sala, pelo menos para assisti-la, minha primeira surpresa: Não era uma turma, mas DUAS turmas de 3º ano, juntas! Fiquei em pânico, como eu iria discutir com eles… A diferença de idade é muito pequena e mais de 60 alunos (com hormônios em fúria), desestimula qualquer um.

Mas não a mim. Na verdade eu queria apenas ficar calado, na minha, foi ai que aconteceu a segunda surpresa: O professor começou a passar mal na sala (nada muito grave é verdade, mas o suficiente pra prejudicar toda a aula). Então eu pensei…

Você tem duas escolhas:

1º – Espera no que dá, o professor libera a turma e você perde a oportunidade de discutir com alunos de 3º ano, ou seja, mais adaptados a discussões mais complexas…

2º – Você intervém, ajudando o professor com o conteúdo e puxando a discussão para um tema interessante de trabalhar como você sempre quis que as suas aulas de Filosofia fossem quando você fazia Ensino Médio…

Pois é… Escolhi a segunda.

Veio então a minha terceira surpresa: O professor me fez uma pergunta super difícil. “O que é melhor a Verdade ou a Ignorância?”. Dei uma resposta meio aberta demais, como já era de se esperar de um filósofo (“Só sei que nada sei”, lembra?). Então em um ato de coragem digna do título “Atitude Imbecil” pedi licença ao professor e comecei a perguntar aos alunos o que era melhor a Verdade ou a Ignorância?

Meio obvia a resposta… VERDADE! Foi então que perguntei: “Mas que tipo de verdade?” foi ai que a porca torceu o rabo.

Apesar de algumas brincadeiras da parte deles, foi fantástico ver a capacidade que eles tem de abstração. O que é fundamental para a Filosofia, mesmo assim ainda tinham muitos que não viam sentido algum naquela discussão. Muito fácil pra mim seria dizer: “Ah! Eles têm preguiça de pensar, mas não é bem assim… A questão é muito maior.

Um aluno especialista em Filosofia como eu, entende a importância da Filosofia, graças ao meu desejo de ser filosofo, mas e o garoto de 16 anos, sonhador que anda com um violão debaixo do braço, querendo ser um Pop Star a lá Lulu Santos?

Esse é o grande desafio, mostrar para eles que pensar a realidade, ou melhor, questioná-la os leva a lugares altos, distantes, “far away from Eden”!

Mas acho que a coisa não é pra mim… a cada dia que passa percebo mais que o Ensino não é a minha paria… Apesar dos esforços da minha Supervisora e das brincadeiras do tipo: “Meninos, não façam ele desistir de ser professor…” sei que ela sabe do meu desejo de não ser professor.

E onde fica a vocação… Não sei…

Sei que terminar esse post num tom melancólico é chato mais é assim mesmo, ainda não sei o que quero da vida ou como eu mesmo disse ontem. Acho que essa é a minha “Crise Existêncial 2009.2”. Semestre que vem tem outra…

Abraço a todos e até a próxima com mais um DE ONDE VÊM!

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